“Os Cantadores de Paris” longa metragem de Tiago Pereira estreia no Doc Lisboa

Publicado em 11 Outubro 2017 por RUA

“Os Cantadores de Paris” é a primeira longa-metragem do realizador Tiago Pereira, conhecido pelo seu trabalho hercúleo na divulgação e promoção da música portuguesa, nomeadamente no projecto a música portuguesa a gostar dela própria. A estreia do filme será feita no DOC Lisboa no dia 22 de Outubro às 16h15 na Sala Manuel de Oliveira (Cinema São Jorge), com uma segunda projecção no dia 28 de Outubro à mesma hora.

Em Julho de 2016, Carlos Balbino encenador português de Cascais decide criar um espectáculo de teatro físico com cante a várias vozes. Depois de uma primeira tentativa com polifonia russa num espectáculo anterior, decide desta vez mergulhar no Cante Alentejano e abre um “casting” para o efeito. Pouco familiarizado com o Alentejo e com o cante a duas vozes da região, efectua várias pesquisas com o intuito de encontrar repertório e acaba por deparar-se com os vídeos da música portuguesa a gostar dela própria, de onde selecciona dez das doze músicas escolhidas. Por várias razões, o elenco do espectáculo fica reduzido a três elementos mas há um total de doze pessoas  que entretanto começaram a cantar as músicas escolhidas e assim nasce com três portugueses, uma italiana, uma alemã e seis franceses o grupo Cantadores de Paris.

O Cante Alentejano é um canto colectivo, a duas vozes, sem recurso a instrumentos, que incorpora música e poesia, associado geograficamente à Região Histórica do Baixo Alentejo. É interpretado sem diferença de género ou de perfil demográfico e social e está classificado pela Unesco como património  Imaterial da humanidade desde 27 de Novembro de 2014.

Em Setembro de 2016, tendo conhecimento da existência do grupo, Tiago Pereira decide fazer um documentário sobre o mesmo, motivado pela pergunta: como é cantar uma cultura que não se conhece? Em Fevereiro de 2017, o realizador vai então com a Ana Paula Silvestre  para Paris durante 10 dias para perceber a dinâmica do grupo. Em Abril de 2017, com o apoio da Câmara Municipal de Serpa e da casa do Cante, cinco elementos do grupo vêm a Serpa para se cruzar com os grupos locais e cantarem juntos as modas que os inspiraram.

A ida ao Alentejo é fundamental para o grupo, tudo o que imaginaram antes com as letras das modas que andaram a cantar por 6 meses é ainda mais. E isso viu-se. A terra era ainda maior que a sua imaginação e por isso cantaram ainda melhor. Estiveram com as pessoas e ainda desfilaram no meio dos outros grupos como se fossem um grupo local. Tudo isso os afirmou e quando cantaram com o Rancho de Cantadores da Aldeia Nova de São Bento, foram baptizados de Rancho de Cantadores de Paris e decidiram então mudar de nome.

O filme é então assim observador mas ao mesmo tempo catalisador e transformador do próprio grupo que é cada vez mais solicitado para actuações e entrevistas. É pela acção de realização do filme que as coisas dentro do grupo vão começando a mudar e em Junho de 2017, o mentor do grupo Carlos Balbino decide realizar um novo “casting” para encontrar elementos novos e formar assim uma escola de cante alentejano num sentido poético para que o cante se mantenha sempre vivo e vá sendo transmitido em terras de França. É de salientar a existência de um grupo de cante em Paris formado por emigrantes durante quase 20 anos, mas que termina pelo regresso dos seus membros a Portugal.

No fim, o filme acaba por ser sobre a música como elemento de transmissão de cultura, hábitos e costumes. Sobre a geração que foi forçada a sair das suas raízes para ir atrás dos seus sonhos mas que levou consigo o essencial. Sobre a permeabilidade que existe à nossa cultura.

As canções viajam seguramente, viajam carregando o seu código genético, aquilo de que falam de onde vêm, o que são, trazem com elas paisagens, natureza, harmonias e melodias. Há canções que carregam a fome, o trabalho árduo, a força da vida e o suor de sol a sol, outras lamentam o casamento e avisam amantes, todas elas são partilhas, em todas elas podemos sentir culturas e formas de vida. As canções, mesmo em diferentes línguas, são universais no que embalam, no que sonham.

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