Investigadora da UAlg vence prémio internacional “Syngenta Crop Protection Award” na área da Agricultura

Publicado em 26 Julho 2017 por RUA

Raquel Campos-Herrera, investigadora da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) no Centro para os Recursos Biológicos e Alimentos Mediterrânicos (MeditBio) da UAlg, foi agraciada pela Sociedade de Nematologista com o prémio internacional “Syngenta Crop Protection Award”.

Este prémio vai ser entregue no 56º Encontro Anual da Sociedade de Nematologistas, que decorrerá de 13 e 16 de agosto, em Williamsburg, Virgínia, nos Estados Unidos da América.

Raquel Campos-Herrera tem-se dedicado ao estudo de “Nematódos Entomopatogênicos (NE) ”, utilizando esses organismos como modelo na área da agroecologia do solo. Os NE são amplamente distribuídos nos solos de todo o mundo, sendo também uma das melhores alternativas não-química para gerir pragas de insetos em culturas. A atividade dos NE é fortemente influenciada por fatores bióticos e abióticos, como o tipo de solo, a flutuação climática e a presença de inimigos naturais. Atualmente, a investigadora procura compreender como vários entomopatogênicos (fungos, nematódos) interagem com as pestes e outros organismos na comunidade da rizosfera.

“A uma escala regional, exploramos a distribuição de NE nas redes de alimento dos solos dos principais habitats da região do Algarve, para explicar possíveis padrões de distribuição geográfica ligada a outras áreas subtropicais e temperadas, avaliadas nos nossos estudos anteriores”, explica Raquel Campos-Herrera. «Nós integramos metodologias do “insetos-isco” tradicionais e ferramentas moleculares de última geração, implementadas pela minha equipa do MEditBio, analisando o solo e fazendo avaliações geoespaciais para selecionar fatores chave que nos permitam descobrir qual o habitat preferido dos NE. Esta informação permitir-nos-á prever padrões regionais de NE noutras áreas do mediterrânio e o seu potencial exploratório de programas de controlo e conservação biológica.» De uma perspetiva ecológica, a investigadora pretende expandir o conhecimento sobre as interações multitróficas do subsolo.

Para Raquel Campos-Herrera este é um prestigiado reconhecimento para uma investigadora “nova” na área da agricultura, em particular na Nematolgia. «Usualmente, este prémio é entregue a investigadores que trabalham com “nematodos planto-parasitas”, por isso é uma exceção que um investigador que estuda o controlo biológico de agentes seja agraciado», explica.

Como todos os prémios, também este servirá de estímulo, “não só porque reconhece a qualidade e relevância da minha investigação como nova investigadora, o que me encoraja a continuar nesta linha, mas também porque os meus pares decidiram investir o seu tempo e esforço a prepararem esta candidatura anónima, e eu tenho muita sorte por ter sido eleita entre todos os possíveis candidatos”, conclui Raquel Campos-Herrera.

Este prémio é atribuído anualmente a um investigador que não tenha sido previamente reconhecido e que tenha contribuído com um significativo avanço para a agricultura. Essa contribuição deve ter sido executada nos últimos cinco anos e o nomeado deverá ter realizado o seu doutoramento até 15 anos à data do prémio. Um investigador não pode autonomear-se, sendo os candidatos sugeridos pelos seus pares, normalmente outros investigadores na área da agricultura, com particular ênfase na nematologia (ramo da zoologia que estuda os nematódos).

Nota curricular:
Raquel Campos-Herrera é investigadora da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Doutorou-se em 2006 pela Universidade Complutense de Madrid, graças ao seu trabalho no Conselho Nacional de Investigação de Espanha ganhou o European Mention and Annual Extraordinary Award.

Durante 7 anos, realizou um pós-doutoramento internacional em vários centros de pesquisa, na Universidade da Florida (USA), no Instituto de Ciências Agrárias (CSIC-Espanha) e na Universidade do Neuchâtel (Suíça), apoiada por bolsas da Ramón Areces Foundation (Spain 2008/2010), Marie Curie Program (European Union 2010/13) e a Swiss National Science Foundation (2013/15).

Colaborou em 12 projetos nacionais/internacionais e co-supervisionou vários alunos de licenciatura, de curtos estágios e de doutoramento. Tem mais de 40 publicações em revistas científicas SCI da área da agricultura, zoologia, entomologia e ciência do solo. É, também, editora do livro “Nematode Pathogenesis of Insects and other pests”.

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